terça-feira, 20 de março de 2018

Disseminação desigual

Reúso de informações científicas ainda é baixo e varia de acordo com a área do conhecimento

O reúso de dados de pesquisa vem crescendo, mas ainda está longe de se consolidar no ambiente científico. A prática, que consiste em fazer estudos aproveitando dados gerados em experimentos anteriores de outros pesquisadores, dissemina-se mais efetivamente nas ciências exatas e biológicas, enquanto enfrenta resistência nas ciências sociais. Em geral, os pesquisadores que trabalham com informações obtidas por meio de modelos computacionais ou sensores remotos se sentem mais confortáveis em reaproveitar dados de terceiros. Essa é uma das conclusões de um artigo publicado na revista PLOS ONE pela cientista de dados Renata Curty, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná.
Com base nas respostas de 595 pesquisadores de diferentes disciplinas e países, ela e seus colaboradores avaliaram o grau de disseminação do reúso de dados e a percepção dos fatores que estimulam ou desencorajam a prática. Uma curiosidade é que essa análise se baseou em dados reutilizados. A fonte original foi mais de mil questionários respondidos por pesquisadores entre outubro de 2013 e março de 2014 no âmbito do Data Observation Network for Earth (DataONE), projeto da National Science Foundation (NSF).
Renata estuda a percepção acerca do reúso de informações científicas desde o doutorado na Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos. À época, ela verificou que os pesquisadores das ciências sociais enxergam consequências potencialmente prejudiciais associadas à reutilização de dados. “Muitos têm receio de violar questões éticas ou de confidencialidade estabelecidas entre os sujeitos da pesquisa e investigadores”, ela explica. Outra preocupação diz respeito ao risco de má interpretação ou uso incorreto das informações originais. A opinião dos cientistas sociais sobre reaproveitamento de dados também é fortemente influenciada pelo próprio campo de atuação, que privilegia a produção de conhecimento novo. “Trabalhos que reutilizam dados são considerados menos autênticos e de menor impacto”, afirma.    Leia mais